O JUIZ, O PROMOTOR E O ADVOGADO DO GENITOR INTRANSIGENTE


Artigo jurídico de Roosevelt Abbad

O JUIZ, O PROMOTOR E O ADVOGADO DO GENITOR INTRANSIGENTE

O juiz e o promotor que decidem qual previsibilidade determinará a rotina que as crianças devam ter após a separação do casal, são sujeitos com visão extremamente avançada.

Pairam acima de nós, homens comuns, muitíssimo à frente de seu tempo. São como uma entidade do futuro. Isso faz com que nós, míseros seres do presente, não encontremos nexo em suas frases ou lógica em seus pensamentos manifestados em suas decisões.

Essas decisões vibram em outra frequência, fala em outro idioma. Confundem a convivência equilibrada com guarda alternada e criam a previsibilidade da rotina do déficit emocional sem base científica.

Nossa mente primitiva não é aparelhada para compreendê-los. Se pudéssemos absorver, mesmo que por um segundo, a beleza de seu raciocínio superior, provavelmente nossos cérebros explodiriam.

Nós, pais e mães aptos e interessados em participar da rotina duradoura e permanente com os próprios filhos, não entendemos quase nada sobre nada. Vagamos sem rumo, perdidos em um imenso oceano de dúvidas e inquietações. Enquanto isso, juízes e promotores nas varas de família, seguem seguros por terra firme, olhos fixos no horizonte, carregando nas costas a jurisprudência construída a partir do Código Civil de 1916, abarrotada com todas as respostas que eles precisarão, pelo resto de suas existências.

O juiz e o promotor das varas de família assessorados por advogados e psicólogas com os dois pés fincados no preconceito de gênero, enxergam o todo. Leem nas entrelinhas. Ouvem o não dito. Entendem o sub texto. Qualidades que o resto de nós nem sonha em um dia possuir, grotescos e abrutalhados que somos. Seres literais, que acreditam apenas nos fatos como se apresentam. Falta-nos a sua sensibilidade e capacidade de interpretação.

Alienação parental é teoria, guarda compartilhada é ficção e paternidade responsável ” latu sensu ” não existe.

O juiz e o promotor, seres instruídos acima de todos sabem selecionar e processar informações. Eles querem como o resto de nós, o melhor para o filhos dos outros, com convivência mais justa com pensão alimentícia respeitando as necessidades e as possibilidades de cada um, mas não perdem seu tempo analisando o “cada caso é um caso”. Acabam chutando a guarda unilateral com visitas limitadas a algumas horas a cada 15 dias e pensão de 30%, jogando a culpa desse quadro de desequilíbrio que gera desarmonia em nós, pobres almas perdidas, que buscamos o judiciário mergulhados em uma confusão sem fim.

Os juízes e promotores das varas de família otimizam seu tempo, usando seu foco apurado para criticar apenas quem tem que ser criticado: o pai alienado. Sua análise é precisa e sua timeline, minimalista e econômica diante das robustas provas de alienação parental e risco de abandono afetivo. Eles não se prendem às picuinhas.

Detalhes como aptidão e interesse, déficit emocional, alienação parental, convivência equilibrada são discussões meramente teóricas e matemáticas do dia a dia e não são preocupações de gente que tem a visão de longo alcance.

Ele sabe que no fim tudo dará certo. E se não der, terá um boa explicação para isso. O bode expiatório será sempre o pai exilado.

Mas nem tudo são rosas na vida dos operadores do direito de família.

Estar a frente de seu tempo não é uma tarefa fácil. Carregam o fardo de serem ilhas cercados de ignorantes por todos os lados: as evidências científicas, as decisões do STJ Ministra Nancy Andrigi, o Congresso Nacional, as sociedades mais desenvolvidas e os pais e mães aptos e interessados.

A missão suprema do juiz e promotor das varas de família é distribuir um pouco do bálsamo de seu conhecimento profundo manifestada nas 90% de decisões de guarda unilateal com visitas limitadas e insuficientes, doando seu tempo para nos ungir com a benção de seus comentários iluminados.

Incompreendidos por nós, pais e mães aptos e interessados em compartilhar a convivência equilibrada com os próprios filhos, o juiz e o promotor das varas de família não titubeia e seguem triunfantes com seu pacote de certezas, em sua missão civilizatória e educadora, exilando o amor parteno da vida das crianças aquele único que daria com alegria um rim, se seu filho necessitar.

Eles nos mostram que, além de um conhecimento profundo, é preciso muita sensibilidade para atingir o nirvana da compreensão sobre o superior interesse das crianças.

Louvemos então estes seres superiores, suas excelências o juiz e o promotor das varas de família, que flutuam tranquilos acima das hordas de ignorantes e desesperados.

Paremos de resistir e sigamos, como crianças, atrás dos operadores do direito de família.

Se eles nos levam, aparentemente, ao precipício dos transtornos psico sociais nos nossos filhos é apenas senão pela mais nobre das causas: para que a rotina criada pela previsibilidade de suas decisões, nos levem a renascer em um mundo melhor, que só eles conseguem enxergar a existência.

_________________
Texto adaptado à realidade nas varas de família, a partir das reflexões políticas e sociais de Jarbas Agnelli, NÃO se referindo,

1 – Aos juízes e promotores que sabem não existir ninguém acima da lei – muito menos eles mesmos – e ninguém que esteja fora de sua proteção, e;

2 – Aos que garantem e promovem a igualdade parental e o respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais dos cidadãos, zelando pela integridade física e moral dos jurisdicionados e de suas famílias.

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