O Pensamento Processual e o processo de formação do Homem

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A sociedade, pautada inteiramente pelo conjunto das leis que regem a produção e a venda de mercadorias, transferiu para a educação a tarefa de “preparação do jovem para o mercado, e, como o mercado é atualmente marcado pela influência norte-americana e pela informática., o jovem tem que aprender, sobretudo, inglês e computação”. Assumindo os pressupostos da ideologia materialista acima descrita, “os pais, preocupados com o bem-estar futuro de seus filhos, acreditam ter feito o necessário e o essencial quando” asseguram as condições mínimas para que eles conquistem “sua parcela no mercado”. Daí o conceito reducionista vigente: a “escola que prepara para vencer a concorrência do mercado prepara, segando esta visão, para a vida, porque a vida é vista como participar do mercado e do provimento com os bens de consumo que ele oferece”.

Na visão desse autor, a “industrialização do ensino dentro da ideologia neoliberal”, corrente nos dias atuais, mercantiliza a fundo o ensino ao “tratar a educação igual à produção de bens de consumo”. Afastada do atendimento às “reais necessidades da criança, do jovem e da população”, essa industrialização oferece para a sociedade apenas a perspectiva do “triste mérito da banalização da cultura e do aumento localizado, por mais paradoxal que possa parecer, em suas concepções superadas de mundo, de sociedade e de homem, a tarefa que se coloca para todos, com urgência inevitável, é relativa à necessidade de um repensar radical sobre todas essas concepções, uma vez que qualquer “reviravolta na pedagogia depende da reviravolta na compreensão do ho­mem”. Greuel oferece, no sentido desse repensar sobre a condição humana em uma sociedade sobre a qual se diz que “o futuro já chegou”, mas que ainda não conseguiu resolver o cruel dilema milenar da pobreza, o recurso teórico que ele denomina de pensamento processual. Essa forma de pensar a realidade lança, segundo o autor, novos desafios “para a educação e, principalmente, para a auto-educação do futuro”. Para ele, esse pensamento constitui

“um passo qualitativo novo que resulta da transformação e da ampliação, e não do abandono da racionalidade. Para o desenvolvimento deste é impor­tante o cultivo de um amplo horizonte, que transita nos ideários e na herança cultural ocidental e oriental. Esta postura transdisciplinar, que aprende a transitar entre os diversos saberes, prepara a visão integral da realidade por­que se capacita a entendê-la como expressão de uma unidade superior dinâ­mica, como constante devir no qual, aliás, o conhecimento do homem está inserido. A transdisciplinaridade é uma exigência diferente da interdisciplinariedade e da multidisciplinaridade que conservam as fronteiras entre as ciências, Transdisciplinaridade somente é pensável, a partir de uma revisão do conceito de realidade e do processo cognitivo presos à tradicional dicotomiamia entre homem e natureza”.

Na compreensão filosófica de Greuel,

“na perspectiva do pensar processual (juízo intuitivo, segundo Goethe), ou seja, do conhecimento ampliado e integrado, a realidade do homem não se re­duz a seu aspecto físico e material. Ela é um conjunto de sistemas interativos do qual o organismo em seu aspecto físico é apenas uma dimensão. Com base em seu organismo, o homem desenvolve uma vida interna (psíquica) que, apesar de experimentar o mundo e se expressar nele através do organismo, possui uma realidade própria e irredutível. O fato de não se detectar umfator psíquico, uma ‘alma’, assim como se observa um órgão do corpo por meio de percepção sensorial não prova a epifenominalidade do mesmo, mas, ao con­trário, assinala um aspecto da realidade que é inacessível aos métodos quanti-ficadores. O homem não é, no entanto, apenas um ser passível de impressões ou reações (dimensão psíquica). Ele possui uma terceira dimensão pelo fato de ser capaz de produzir e de se expressar. O potencial expressivo se manifesta na dimensão interna como raciocínio próprio (ciência), imaginação e criação individual (arte) e a organização da vida social e comunitária (religião). Nes­sa dimensão de seu ser, ele se cria de modo consciente (auto-poiesisj no con­texto da ordenação e da criação do universo (vida cultural)”.

Nesse sentido, a “existência material e transitória” do ser humano “lhe faculta a possibilidade de conquistar a sua identidade mental própria e autônoma”. Devido ao fato de não nascer “adaptado ao seu meio e com todas as suas aptidões desenvolvi­das”, se faz necessário que ele seja “conduzido para poder encontrar e assumir a si mesmo”. Daí a constituição de uma forma específica de interação humana deno­minada de processo pedagógico, que “consiste em propiciar o desdobramento e a inte­ração das três dimensões que compõem o ser do homem”. Por isso, o ensino é “uma questão de saúde (harmonia entre os diferentes aspectos descritos) e de amadurecimen­to”, de forma que ele possa “chegar ao ponto de poder construir e definir a sua própria dimensão mental dentro do processo cultural da humanidade”. Além disso, um ama­durecimento saudável só é possível pela intermediação de um currículo que não seja voltado para o mero condicionamento e nem para a tentativa de “adaptar o jovem às circunstancias aleatórias dominantes”. Esse currículo deve partir de critérios antropo­lógicos, acendendo “às necessidades evolutivas do próprio ser humano”, de forma que ele seja preparado para vir a ser ele mesmo, tendo, portanto, condições de “contribuir com sua originalidade no processo e progresso cultural da humanidade”.

Ademais, a tentativa de se levar em consideração científica as questões espirituais ainda “é vista como um ‘pecado’ académico ou, ao menos, como algo censurável”. Todavia, “quem simplesmente se recusa a experimentar a pensar de maneira diferente, nunca poderá chegar a novos resultados práticos”;

A continuar essa tendência cami­nha-se para a entropia formativa, uma vez que, para lidar convenientemente com a informação, o indivíduo deve possuir condições internas de processá-la de forma crítica e autônoma.

A criança e o jovem, que têm a oportunidade de trabalhar seu aprendizado escolar a partir de concepções de mundo e de homem ampliadas e integradas, crescem e desenvolvem-se em equilíbrio salutar, tornando-se capazes de receber com tranquilidade e confiança as situações diversas que se lhes apresentam no decorrer da vida, pois aprenderam, pela vivência, as informações científicas e desenvolveram a capacidade de adquirir e elaborar conceitos por meio de um pensar próprio e autônomo.

A ideia atualmente dominante, compartilhada por muitos pais, que pretendem a antecipação do amadurecimento dos filhos, pensando que assim eles estarão ganhando tempo, ao entrarem mais cedo para o mercado de trabalho, deve ser substituída pelo respeito a cada um dos momentos de desenvolvimento da criança e pela compreensão de que eles são fundamentais para que ela aprenda a se respeitar e também a respeitar o próximo e o ambiente em que vive.

A proposta global de convivência diária com a realidade midiática e informacional, necessita ser pautada pela consciência de que o ser humano precisa ser formado de um modo integral. Não basta apenas informar, mas sim, essencialmente, formar.

fonte: Manual de Sociologia 2ed – Ferreira, Delson – Ed. Atlas – p.205 c.14.3

DIREITO DE TODO HOMEM

direito do homem

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Juiza Daniela Bortoliero Ventrice de Sorocaba, tirou meu filho proibindo eu de me aproxima dele. Vocês acham a atitude dela justa? Sensata? Equilibrada?

O que é direito?
DIREITO NÃO É O QUE TEM QUE TE DAR E SIM O QUE NÃO PODEM TE TIRAR

A Justiça brasileira tem uma visão de direito completamente deturpada e desequilibrada. É a Babilonia! O direito do homem prostituido por dinheiro!